Microsoft Silverlight may not be supported on your computer's hardware or operating system
O motivo desse post não é o linux em si, ou licenças de software, mas a postura da Microsoft. Num momento em que as principais tecnologias do mundo se voltam para a web (2.0), interação pela internet e essas coisas, a Microsoft investe na manutenção de usuários "cativos", através de iniciativas como a do título desse post. Não disponibilizando seus plugins proprietários para navegadores de outras plataformas operacionais além do Windows, ela "obriga" quem quer que seja usuário de PCs e que dependa de acesso a determinados sites a ter um computador com Windows instalado. "Out of game, *nix-like". Isso se torna pavoroso principalmente em casos envolvendo universidades e afins - uma plataforma de trabalho ou ferramenta Windows-exclusive cria um efeito cascata de grandes proporções. A hegemonia e falta de opção continuam.
Não fui muito claro no parágrafo anterior, mas o plugin em questão, o Microsoft Silverlight, promete ser como um "Flash melhorado", trazendo novas funcionalidades e uma experiência mais imersiva na navegação. Não tenho nada contra plugins proprietários, acho que boas tecnologias proprietárias devem e serão incorporadas e estarão trabalhando conjuntamente com iniciativas open-source. O problema é quando essas tecnologias proprietárioas não querem interagir. Aí fica complicado, colega. Por que, por exemplo, Flash interage muita coisa, é flexível, é suportado por várias plataformas, suporta vários bancos de dados, enfim, é paga mas "não" escraviza. Ou pelo menos não tanto quanto a proposta do Silverlight. Não conheço a fundo a tecnologia, mas tirando pela primeira impressão, e vendo a Microsoft não entende nem quer entender nada de Web e interoperabilidade, fica a impressão de que ("no momento") só vai funcionar com a Suíte Microsoft. (Já há um grupo de aventureiros dedicados a portar o Silverlight pra linux - Silverlight on Linux: We're in, Says Mono Founder)
Tristan Nitot, fundador da Mozilla Europe já alertou sobre os riscos de plataformas proprietárias na web, na Internet World Conference, que ocorreu nesse ano em Londres, 29 de abril. Dentre outras coisas, ele fala que sites com rich-media (experiência rica, tais como Flash e Silverlight) devem tomar cuidado; estão expondo sua empresa utilizando uma vitrine que não lhes pertence, e que essas plataformas proprietárias estão querendo se aproveitar da expansão da web para expandir seus produtos. Pegar carona na onda do momento, quem não quer?
Acho que o problema todo não é a propriedade de software, mas até a que momento essa propriedade interfere na sua liberdade de escolha. De acordo com os princípios do open-source, a própria propriedade de software em si é um dano à liberdade. Mas eu imagino que sempre vai haver software proprietário ou alguma forma de exploração econômica em cima do software ou similar; a partir disso, dos males o menor: acho que não chega a ser desinteressante uma plataforma prorietária de consumo gratuito (não se engane: através dessa cultura de usuários e consumidores Flash, empresas têm que pagar para fornecer sites ricos com Flash) . O que não posso tolerar é que, além de pagar por serviços na internet, eu tenha que pagar pra consumir algo que hoje eu tenho de graça.
De acordo com o pronunciamento da Mozilla Europe, está para ser liberada a quinta revisão do HTML, que promete ter áudio e vídeo. Até lá, é torcer para que a web continue aberta, inclusive a boas idéias.

